sábado, 12 de novembro de 2016

Ou-Topos: Em lugar nenhum(?)

Em que mundo, então queremos viver? Não é à toa que os homens perderam suas esperanças e não sonham mais... Que lhes resta ???
por Bispo Luiz Tamburro

Ou-Topos: Em lugar nenhum(?)Ou-Topos: Em lugar nenhum(?)
Um dom que o Espírito Santo não me dotou foi o dom de Sonhos… Mas, ainda assim não deixou de me permitir sonhar, o que já tenho como um dom, diante de tantos que já perderam as esperanças e, consequentemente… seus sonhos.
Vivemos dias em que a esperança nos parece um mendigo perambulando por ruas mal iluminadas e perigosas. Parece-me que, muitas vezes, a própria esperança se vê privada de … ter esperança.
Num mundo onde as incertezas não se estacionaram somente na vida material, mas avança à largos passos na vida intelectual, moral e até espiritual do homem, ainda assim, posso afirmar com grande alegria que ainda sonho… ainda tenho sonhos, sonhos que transcendem tudo o que o mundo hoje tem negado ao homem, eu ainda creio, creio num mundo melhor e mais justo, embora eu saiba… que nunca, nunca acontecerá… aqui.
Assim como Thomas Morus, imagino em minha mente, não uma ilha, mas um mundo novo, seria o Ou-Topos? Talvez, quem sabe, ainda assim, tenha divagado e passeado nas asas da imaginação ou da reflexão sobre um mundo de igualdade, um mundo onde não existisse realmente nada que me pertencesse, mas que todos fossem os donos…
E, divagando diligentemente à brisa que me soprava na varanda, acabei por adormecer e… sonhei…
Sonhei com este mundo novo. Todos os habitantes tinham um brilho especial no seu rosto, pareciam estar sempre muito felizes e se tratavam com gentileza, não era uma gentileza forçada, mas algo que perecia lhes nascer de dentro, podia-se ver seus corações como que sorrindo pelo prazer em tratar bem o seu próximo, Ou-Topos?
Este mundo tinha uma capital lindíssima, limpa, com ruas adornadas, sua organização impelia-nos a mantê-la cada vez mais limpa, as casas tinham portas nos fundos que davam para belíssimos jardins cultivados comunitáriamente por todos e não pertenciam a um somente, era um bem comum… Ah… pensei, esta sim, é a Cidade dos Sonhos…
Mas, de repente, dei por mim não saber o nome do mundo que meu sonho criou e busquei na mente algo que me fosse familiar para batizá-lo e, o melhor que puder encontrar, naquele momento foi… “ Em lugar nenhum. “ Decerto porque eu sabia tratar-se de um sonho que talvez nunca se realizasse.
Havia, neste mundo, um grande respeito mútuo. Seu governante era justo com todos e não se autodenominava ser desta ou daquela cidade porque cria que seria melhor ser “ sem etnia ou sem povo “, para, livre, governar realmente para todos e era um líder que governaria eternamente.
Assim também, vi, em todos os habitantes, a mesma filosofia de vida e todos se diziam ser sem etnia ou terra de nascimento, para serem todos iguais, e eu novamente lembrei-me de Thomas Morus e seus “Achorianos. “
No mundo dos meus sonhos, todos tinham muitos atributos e muitos ofícios, todos faziam de tudo e tinham especialidades, tudo gratuitamente proporcionado pelo seu governante que fazia questão de ter um povo educado e laborioso.
Como eram fartas as mesas, a alimentação vinha diretamente do campo, fresca e sem nenhum tipo de conservantes ou inseticidas, também era dividida entre todos os habitantes e ninguém passava necessidade…
Também a ganância não existia, nenhum metal ou qualquer outra coisa tinha valor… ouro, prata? Eram tidos como metais vis e que só serviram para deturpar a moral dos homens no passado, a instigar probidades e alimentar contendas e crimes… E quem, neste mundo, os tivesse em quantidade, eram considerados pobres, pois sua riqueza de nada lhes serviriam…
Também não havia desempregados, pois todos tinham ocupações e ninguém ficava ocioso, trabalhavam seis horas por dia, dormiam suas oito horas e o restante do tempo estudavam e se preparavam… para ajudarem-se uns aos outros…
Aí … acordei… e vi que realmente sonhei uma utopia… seria, então, que eu nunca viveria num mundo como este que sonhei?
Que mundo conturbado é este que vivemos? Numa visão mais próxima, vivemos num país de grandíssimas injustiças, num país onde os governantes jamais seria descendente de Ademos, por exemplo, mas que se perpetuam no poder para sugar um povo que trabalha arduamente para pagar com seu esforço e suor um preço deveras excepcional pelo seu próprio produto, um povo que vive, em grande parte em vielas e barracos e que não têm direitos nem mesmo ao direito…
Cidade dos sonhos? Aqui nem chega a povoar nossas noites de sono.
E o mundo? Ou-Topos? Não, não temos direito ao Ou-Topos, sabemos bem onde é… é aqui…
Numa ampla visão, vivemos num planeta que se tem tornado hostil, não devido às intempéries, cataclismos ou por cobranças da natureza estuprada, mas por obras de homens que, se dizendo de Deus, matam, torturam e se degradam uns aos outros. Um mundo onde uma minoria tem direitos, fortuna e poder e a outra, quando não trabalham para entesoura-las, são escravas dos mesmos, ou da governança, ou de si ou das religiões…
Em que mundo, então queremos viver? Não é à toa que os homens perderam suas esperanças e não sonham mais… Que lhes resta ???
Afinal, Ou-Topos existe?
“ E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus. E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. “ (Atos 4:31-32)
Ou-Topos, nasceu sim, no coração de Deus, teve seu início no começo da Igreja, um sonho que mudaria o mundo em que vivemos e que transformaria corações e vidas… Um mundo de justiça onde tudo seria de todos e não haveria ricos, pobres ou necessitados, onde todos se amariam de igual maneira e não se teria etnias ou quaisquer partidarismos… mas…
A dureza do coração dos homens não lhes permitiu serem humanizados e, Ou-Topos, continuou Ou-Topos… lugar nenhum…
Mas, assim como o Rei Ademos de Thomas Morus, temos um Rei ainda muito mais justo e, o melhor, Real, um Deus de Promessas cumpridas já na eternidade e prontas para nossa posse…Jesus… Rei dos Reis, Príncipe Regente de nossas almas e que nunca desistiu de transformar Ou-Topos em realidade…
“ E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. “(Apocalipse 21:1-7)
Hoje eu sei, que um dia o sonho de Morus, Campanella, Platão e o meu, já se concretizou nos céus e Ou-Topos, hoje, tem lugar… e é lá que todos os que sonham com o céu sabem que vão viver… uma vida eterna e justa onde Deus, o próprio criador, será o nosso sol, nossa luz e nos alimentará de paz e justiça e nos fortalecerá com seu amor e com sua graça…
Hoje sei, Ou-Topos é no céu … aqui … é somente uma Utopia.

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